Depois da entrada em
vigor do acordo de livre circulação de
pessoas com a União Européia, o
movimento se acelera e corre-se o risco
de faltar terreno nas margens do Lago de
Zurique e do Lago Léman.
Não tem mais restrição
"Desde junho de 2004, os cidadãos
europeus não precisam mais de uma
permissão de trabalho para residir na
Suíça mas apenas provar que podem se
sustentar", explica Mario Tuor,
porta-voz da Secretaria Federal da
Migração.
"Na prática, não há mais qualquer
obstáculo para uma pessoa que tem um
patrimônio suficiente para viver".
De fato, não há mais restrição legal
para os cidadãos europeus abastados e
honestos obterem uma permissão de
domicílio na Suíça.
Não necessariamente
o fisco
Mas o que faz com que esses fortunados
cidadãos europeus venham morar na
pequenina Suíça? Pagar menos impostos é
geralmente a resposta mais imediata. Mas
isso nem sempre é correto.
"É certo que se a Suíça não atrairia
tanta gente se tivesse uma fiscalidade
muito alta como a finlandesa. Mas
tampouco pode ser considerada como um
paraíso fiscal", afirma François
Micheloud, diretor de uma empresa de
Lausanne especializada em assessorar
estrangeiros que querem se estabelecer
na Suíça.
"Um milionário que quer fugir do fisco
vai para Mônaco ou Bahamas", acrescentar
o jovem consultor que já trabalhou para
imigrantes de 90 países mas
principalmente ingleses, franceses e
escandinavos.
Sua empresa propõe serviços como
residência, trabalho, fisco,
investimentos, escolas e até importação
de coleções de arte e de animais
domésticos.
Outras vantagens
Para Micheloud, o interesse pela Suíça
deve-se a diversos outros fatores como
posição geográfica central na Europa.
"Já tive clientes que haviam se
estabelecido primeiro em Bahamas, que
tem vantagens como um fisco menor e o
clima. Depois de um certo tempo, no
entanto, as pessoas se sentiram muito
distantes da Europa e decidiram mudar
para a Suíça", relembra o "caçador de
ricos".
A posição geográfica da Suíça é
apreciada especialmente pelos
escandinavos, que se sentem um pouco
isolados e reclamam da falta de sol e do
frio inverno do Norte.
Um país que
funciona
Uma vantagem que
seduz os ingleses é o "bom funcionamento"
da Suíça.
"Na Inglaterra, afirmam meus clientes,
muitos serviços públicos pioraram muito
na última década; é comum, por exemplo,
chamar a polícia e ela não aparecer",
observa Micheloud.
Os problemas de vandalismo nos centros
urbanos também teriam levado muitos
ingleses ao refúgio suíço. "Eles se
sentem mais seguros aqui e têm a
impressão que seus filhos podem crescer
como num grande parque, sem violência no
caminho da escola".
Essa sensação de segurança também é
citada em relação sistema sanitário em
que a fiabilidade dos médicos e
hospitais também é muito importante para
os estrangeiros abastados, segundo
Micheloud.
Senso cívico
A clientela francesa prefere a
região do Lago Léman, vizinha da França, mas
também pelo aspecto cultural porque de língua
francesa. Eles apreciam ainda a tranqüilidade e
A possibilidade de levar uma vida privada
discreta.
Outro fator que impressiona muito os franceses é
o senso cívico na Suíça em que citam a ordem, a
limpeza e o respeito pela natureza.
"Alguns clientes se supreenderam que na Suíça as
crianças comprimentam mais facilmente os adultos.
É como 50 anos atrás na França, me disseram
quase comovidos", afirma Mcheloud.
Os franceses também gostam da "simplicidade"
helvética com cidades menores, distâncias mais
curtas, pouco congestionamento no trânsito e
menos burucracia.
Reconhecimento social
Segurança, fiablidade,
senso cívico ou outro aspecto qualquer, para
François Micheloud as vantagens da Suíça vão
muito além de uma fiscalidade moderada.
"Muitos suíços não se dão conta, mas a
Confederação propicia uma qualidade de vida que
não se encontra em outros países. Para muitos
estrangeiros, a idéia de poder passar o que que
lhes resta de vida na Suíça representa uma
espécie de coroamento de sua ascenção social".