"Nas telecomunicações, já estamos
no nível ao qual a União Européia quer chegar",
explicou a swissinfo Guido Balmer, porta-voz da
Secretaria Federal de Polícia.
A lei em questão foi aprovada há
três anos mas estipula que as comunicações sejam
arquivadas durante seis meses e não um ano, como
querem agora os ministros da UE.
"Por vezes, esse prazo não basta,
por exemplo nos inquéritos internacionais sobre
a pornografia infantil", acrescenta Guido Balmer.
Ele insiste, no entanto, que a estocagem dos
dados das telecomunicações é um instrumento
precioso na luta contra o crime.
Ao contrário do que ocorre na UE,
não há exigências em reforçar as medidas de
vigilância na Suíça, depois dos atentados de
Londres.
Vale lembrar que as medidas antiterroristas
desejadas pela ex-ministra da Justiça e Polícia,
Ruth Metzler, depois dos atentados de Nova York
e Washington, foram rejeitadas pelo Parlamento.
Sem medidas
excepcionais
Segundo Guido Balmer, o fato
que até agora não ter sido tomada qualquer
medida excepcional é explicado pela tradição
democrática da Suíça. Procura-se
escrupulosamente o equilíbrio entre segurança e
liberdade.
"A utilização dos dados das telecomunicações já
é próxima do limite dos direitos pessoais de
cada cidadão", afirma o porta-voz da fedpol.
Por outro lado, as possibilidades de coletar
informações de caráter preventivo são limitadas
na Suíça.
Para o responsável pela proteção de dados
pessois, Hanspeter Thür, as autoridades dispõem
de possibilidades suficientes atualmente. Em sua
coletiva anual, duas semanas atrás, Thür
advertiu que "seria perigoso autorizar os
serviços secretos internos a coletar dados e
grampear telecomunicações sem justificar a
necessidade".
Toda nova buscar de informações preventivas
deveria ser submitida ao controle de proteção
dos dados pessoais. Segundo Thür, ninguém provou
até agora a necessidade de ampliar a área de
ação para as autoridades penais.
Zona Mediana
Para Guido Balmer, porta-voz da Secretaria
Federal de Polícia, uma vigilância-vídeo global
- como é o caso há nos em Londres - não resolve
tudo, mesmo se "as imagens podem ser preciosas".
Por outro lado, ele acha possível solicitar que
pessoas civís - como foi o caso em Londres -
entreguem imagens captadas com seus celulares.
Para ele, é como um apelo a testemunhar.
"A Suíça não está na vanguarda da luta
internacional contra o terrorismo mas na zona
mediana, conclui Guido Palmer. A força do
dispositivo suíço contra o terrorismo é não ter
apenas medidas técnicas mas uma amplo leque de
possibilidades diferentes".