Especialista em
assuntos ecológicos, Grinevald traduziu para o
francês as obras de Nicholas Georgescu-Roegen,
considerado o papa do decrescimento.
Falecido em 1994,
o economista romeno ainda é muito debatido nos
meios acadêmicos. Nas suas controvertidas obras,
publicadas em grande parte nos anos 70, ele
criticou fortemente o modelo econômico
contemporâneo. Dentre outros, ele afirmou: - "O
crescimento ilimitado num planeta de recursos
limitados é impossível. Somente um louco ou
economista poderiam acreditar nisso".
- Ele redefiniu o
processo econômico integrando variáveis
ecológicas...Sua revolução teórica é
bio-econômica. Ele une as ciências econômicas
não à física ou à matemática abstrata, mas sim
às ciências biológicas - explica Jacques
Grinevald.
Os adeptos do
decrescimento se colocam num lado oposto dos
defensores do desenvolvimento sustentado. Para
eles, os limites dos recursos naturais no
planeta não possibilitam o crescimento
indefinido da economia global, mesmo com o
desenvolvimento tecnológico. "Com isso apenas
postergarmos os problemas ecológicos para o
futuro", ressalta Grinevald.
Passeata na França
No site do
movimento, os adeptos não escondem que estão
longe de querer propor um novo sistema
revolucionário, como foi no passado o comunismo.
- "O decrescimento não é um sistema, mas sim uma
palavra simbólica que transporta o imaginário
necessário para compreender o imaterial, para
reafirmar a primazia do político frente à
técnica, para se opor à religião do crescimento"
– afirma um dos seus teóricos.
Entre 7 de junho e 3 de julho, participantes do
movimento, como o agricultor e militante
ecológico francês José Bové, participaram de uma
marcha entre Lyon e Magny-Cours.
Na opinião dos
organizadores, o manifesto foi um sucesso. Cerca
de 220 pessoas fizeram a caminhada entre as duas
cidades no sul da França.
Consumir menos
Com muito humor,
os "decrescentistas" pregam a valorização do
tempo e o "fim do terror do consumo".
- Eu, por exemplo, não tenho televisão. Percebi
que ela me fazia doente. Sempre que estava
deprimido, assistia televisão. E quanto mais eu
via, mais eu ficava doente. Depois da primeira
guerra do Golfo, decidi jogar fora o aparelho.
Afinal, não queria esperar a segunda guerra para
assistí-la na telinha – lembra Grinevald.
Num cartaz publicado no site, os adeptos do
movimento dão diversas sugestões de como
melhorar a qualidade de vida e poupar o
meio-ambiente:
- "Passar mais tempo com a família e os amigos,
consumir produtos frescos produzidos na região e
não pelas grandes empresas, freqüentar
bibliotecas públicas ao invés de shopping
centers, aprender um instrumento ao invés de
consumir música, fazer esportes e consertar os
sapatos, quando eles estão gastos.