Os turistas trocam de trem no
pequeno povoado de Lauterbrunnen. Durante a
viagem, o cenário visto pelas janelas é de
sonhos: chalés típicos, pastos verdejantes,
vacas com os típicos sinos dourados e, cobrindo
todo o horizonte, a presença imponente das
montanhas cobertas de neves eternas.
Para muitos asiáticos, esse é um
pedaço do paraíso. Suas máquinas fotográficas
são acionadas a cada segundo sem pausas. Ninguém
quer perder as melhores imagens. Os guias, já
acostumados com essas situações, contam em
japonês, chinês ou inglês histórias da Suíça e
dos Alpes.
O penúltimo ponto chama-se "Kleine
Scheidegg", na realidade uma bonita estação de
esqui que, por estar a 2.320 metros acima do
nível do mar, quase sempre está coberta de neve.
Nesse local os turistas saltam e têm o primeiro
choque ao vislumbrar o contraste do céu azul com
o sol batendo na montanha Jungfrau.
A viagem continua através de
uma linha especial de trem que os levará até o
cume. Para subir a imensa parede, a locomotiva e
as composições são do tipo "cremalheira", uma
linha ferroviária com trilhos dentados, no qual
engrenam as rodas motrizes, também dentadas, das
locomotivas, e utilizados em rampas muito fortes.
Atração internacional
Essa linha especial de trem,
gerida pela companhia "Jungfraubahn", foi
inaugurada em 1912. A obra necessitou dezesseis
anos de contrução. Os operários e engenheiros,
suíços e imigrantes, trabalharam nas mais
adversas condições climáticas, com temperaturas
médias de 8 graus negativos e correndo risco
provocados pelos raios, avalanches de neves e
ventos com até 250km/h de velocidade, para criar
um caminho de 12 quilômetros, abrir o túnel de
sete quilômetros e montar a estação.
Hoje em dia, o Jungfraujoch é
um complexo moderno, que inclui não apenas as
duas paradas panorâmicas cravadas na pedra da
montanha, mas também a estação com restaurantes,
lojas, correio, museu e também instalações
científicas como observatório, estações
meteorológicas e de pesquisa.
Anualmente, meio milhão de
turistas, mais da metade originários de países
asiáticos, pagam até 172 francos suíços (US$
131) para o trajeto entre Interlaken e o
Jungfraujoch. Diariamente, os trens carregam até
quatro mil passageiros diariamente para o cume
da montanha.
Palácio de Gelo
Ao chegar na estação final, os
turistas recebem o ar frio dos Alpes. Diversas
placas mostram os caminhos a seguir. O
Jungfraujoch é, na realidade, um complexo
cravado dentro da rocha e do gelo.
Uma das primeiras paradas é o "Palácio de Gelo",
uma galeria de túneis e câmaras escavadas
diretamente na geleira do Aletschgletscher que,
nos seus 24 quilômetros de comprimento, é a
maior dos Alpes. Passear por ela é como estar
num congelador. Porém mesmo as temperaturas
abaixo de zero não tiram o ânimo dos turistas,
sobretudo pelas estátuas esculpidas no gelo.
O passeio dura uma média de cinco horas. Como
pontos de observação, o complexo alpino oferece
uma plataforma, onde o cume das montanhas pode
ser mais bem observado, e o "Sphinx", um prédio
localizado a 3.571 metros acima do mar, o ponto
mais alto do Jungfraujoch. Ele abriga não apenas
a plataforma utilizada pelos turistas para tirar
fotos, mas também um observatório especializado
em astronomia, astrofísica e observação das
radiações cósmicas.
Falta de ar
Quando bate a fome, os
turistas asiáticos visitam um dos restaurantes
do complexo. Um deles é especializado em comida
indiana. Batizado de "Bollywood", o local
homenagea as estrelas de cinema do país, que já
utilizaram muitas vezes as montanhas suíças como
fundo para as cenas românticas e musicais.
Depois, a grande pedida é ver a neve. Para uma
grande maioria dos estrangeiros, essa é a
primeira experiência de tocar os flocos brancos
com os dedos.
Ao descer de elevador da estação "Sphinx", os
turistas atravessam um túnel que os leva para
fora da montanha. Lá eles podem caminhar durante
45 minutos por cima da geleira até alcançar um
abrigo de montanhas, também o mais alto da Suíça.
O passeio parece fácil, porém em poucos minutos
a maior parte desiste. O ar rarefeito cansa o
corpo. Para muitos, cada passo se transforma num
martírio. Cansados, indianos, chineses e
japoneses preferem fazer guerras de bolas de
neve ou sentar-se para bronzear no sol.
Os poucos que alcançam o abrigo, descobrem um
lado mais folclórico da Suíça, sem a "high-tech"
do Jungfraujoch. No seu interior, o pequeno
restaurante lembra um chalé alpino e serve de
descanso para alguns guias de montanha, que
depois das caminhadas, sentam-se para comer um
bom prato de sopa.
Depois de cinco horas de passeio, o trem volta a
descer a montanhas. Devido à mudança de altura,
surge um outre efeito: o sono. A maior parte
acaba cochilando até chegar à primeira parada.