Lago translúcido,
montanhas, parques floridos, clima
deliciosamente ameno. A descrição é de
Lugano, lugarejo suíço plantado na
província de Ticino, bem na divisa com a
Itália. Terra onde as paisagens
vislumbradas a cada passo mais parecem
quadros de Cézanne – A Baía de L'Estaque,
talvez –, e que guarda para outubro
agenda multicor, com Festival
Internacional de Marionetes, concertos
da Settimane Musical e Festa do Outono,
verdadeira celebração da cultura local,
com comidinhas típicas e apresentação de
grupos folclóricos.
Mas a cidade também não
nega a pátria à qual pertence, recheada
de chocolates divinos, boas relojoarias
e respeito aos horários, cidadãos e meio
ambiente. O cartão-postal da região é o
Lago Lugano, com imperdíveis passeios de
barco, e os montes Bré e San Salvatore,
um de cada lado. Em ambos, dá para pegar
um teleférico até o cume e descer em
caminhadas por parques bem sinalizados.
A vista do alto é daquelas para não se
esquecer jamais.
Foram os dotes
naturais que, somados à abertura da
linha férrea de St. Gotthard, fizeram da
cidade medieval um pólo turístico desde
a segunda metade do século 19.
Pelas ruas do Centro de
Lugano, carros não passam; em
compensação, não faltam turistas,
especialmente alemães. Jardins estão por
todos os cantos – são pelo menos 11 os
parques da região. Um dos mais bonitos é
o San Grato Botanical Park, com 62 mil
metros quadrados e o orgulho de cultivar
uma enorme variedade de azaléias.
A pedida, então, é dar um pulo em uma
das lojas do Centro – as da família
Gabbani são um delírio, vendendo de pães,
queijos, salames, vinhos e até flores –,
arrumar tudo numa cestinha e relaxar com
um piquenique em uma das áreas verdes
locais.
O roteiro cultural também pede uma
conferida. A Catedral de São Lourenço,
padroeiro da cidade, é das mais
conhecidas atrações, com portal
renascentista, ricos altares e belas
pinturas sacras. Sem falar nos museus –
os mais interessantes são o Museu
Cantonal e a coleção Thyssen-Bornemisza,
com obras de Renoir, Klee e Rossi.
À noite, o lugar assume sua porção
boêmia e oferece ao visitante as opções
de arriscar a sorte no Cassino Lugano,
ir a um piano bar (a cidade tem v´rios
deles) ou boate. É só escolher.
É bom reservar um dia da viagem para
explorar os arredores de Lugano. Os
melhores passeios são os que podem ser
feitos a pé ou de bicicleta. Não faltam
lugarejos riquíssimos em belezas
naturais e históricas.
Música clássica e marionetes
Com tantas atrações permanentes,
Lugano nem precisaria oferecer uma programação
muito intensa; a chegada do outono, porém,
parece inspirar o alegre povo desta terra, que
preparou para o início da estação cardápio
variado de atividades.
De 24 de setembro até 9 de outubro passado,
Michel Poletti dirigiu o Festival internazionale
delle marionette, que reuniu apresentações com
os simpáticos bonecos de diferentes partes da
Europa. Na abertura do festival, por exemplo,
foi para o palco Pavel Vangeli, marionetista e
ator, da República Tcheca. Em 8 de outubro, foi
a vez de Stephan Blinn, da Alemanha, e, no dia
seguinte, apresentou-se o grupo belga Théâtre
des 4 Mains. Tanta diversidade garante que cada
apresentação tenha estética e formas de contar
uma história peculiares, em enredos como A Bela
e a Fera, Aladim e a lanterna mágica e Cabaré de
marionete. Uma graça.
No fim de setembro, por 3 dias, os matizes
locais acentuam-se e tornam Lugano ainda mais
irresistível. É a Festa do Outono, que enche as
ruas com os aromas da gastronomia do Ticino e
com os sons de músicas folclóricas. Tudo regado
a muito vinho, produzido na região. E dá-lhe
polenta com carne cozida ou feijão e porco
assado, minestrone, risoto, nhoque...
Em outubro, também, é dada continuidade à 14ª
edição das Semanas musicais de Lugano, evento
que desde julho leva à cidade orquestras
interpretando desde os clássicos mais eruditos
até música popular e mesmo tangos. Uma loucura...