Um planeta gêmeo
Para a ESA (Agência
Espacial Européia), esta é a primeira
missão a um outro planeta do sistema
solar, distante da Terra de
aproximadamente 42 milhões de km. Vênus
é tido como "vizinho" pela proximidade e
também por ser visível bem visível a
olho nu.
Nos anos 60, esse planeta
havia despertado um grande interesse,
mas os dados eviados à Terra por uma
sonda americano-soviética foram
surpreendentes.
Descobriu-se que
as condições climáticas dos planetas
Terra e Vênus são extremamente
diferentes. Os cientistas utilizaram as
informações para compreender melhor a
evolução do sistema solar.
Para aprimorar esses
estudos é que foi lançada a sonda "Venus
Express", em 9 de novembro às 4:33, hora
suíça, com um foguete Soyuz-FG, a partir
do comódromo de Baikonur, no Kazaquistão.
O lançamento estava inicialmente
previsto para 26 de outubro mas foi
adiado por motivos técnicos.
O custo da operação européia é de
aproximadamente 340 milhões de francos
suíços. A Suíça, um dos dos 17 membros
da ESA, participou com 16 milhões.
Uma viagem longa
Depois de 153 dias
de viagem, a sonda "Venus Express"
entrará na órbita de Vênus onde ficará
500 dias terrestres, ou seja, dois dias
venusianos (um dia de Vênus
correpondente a 243 dias terrestres).
As empresas suíças
FISBA Optik AG, de St-Gallen, e
Contraves Space AG, de Zurique,
participaram do projeto, assim como dois
cientistas do Instituto de Física da
Universidade de Berna.
O professor Nick Thomas participou da
parte óptica de um instrumento
denominado VMC (Venus Monitoring
Camera), que será utilizado para estudar
a atmosfera de Vênus.
O planeta é envolto em
uma densa atmosfera, composta quase que
exclusivamente de dióxido de carbono
(CO2), que produz um efeito estufa com
temperatura na superfície de quase 500
graus.
Surpresas possíveis
O professor Thomas está convicto
que com esse instrumento será obtida uma ótima
visão da circulação da alta atmosfera de Vênus.
A absorção da radiação ulravioleta, a observação
de estratos mais profundos da atmosfera, as
emissões de vapor d'água e a eventual presença
de oxigênio, tudo será visível. O professor
Thomas não exclui que as observações possam
revelar "surpresas como a presença de vulcões
ativos".
O professor Peter Wurz trabalhou de um
instrumento chamado ASPERA-4, que estudará a
interação entre o vento solar e a atmosfera do
planeta.
"O fato de ter uma sonda espacial em torno de
Vênus (mais perto do sol do que a Terra) e uma
outra em torno de Marte (mais longe) em operação
simultânea, permitirá comparar o processo de
erosão atmosférica", afirma Wurz, em entrevista
publicada pela ESA.
"Poderemos descobrir quanta água e outras
substâncias foram transformadas pela erosão
atmosférica", explica. Isso permitirá calcular a
quantidade de material perdido por um planeta
desde o início de nosso sistema solar há 4,6
milhões de anos.