Através do relatório anual das comissões de
gestão, órgãos encarregados de controlar o
orçamento público, as intenções do Ministério da
Defesa foram tornadas públicas, inclusive a
vontade de se librar das relíquias da Guerra
Fria.
O documento revela também que 18 cantões
construíram fortificações de proteção civil e
militar dentro de um programa secreto do governo
federal posto em funcionamento a partir do
início de 1975. Genebra, Jura, Tessin, Lucerna,
Schaffhausen e a cidade da Basiléia não possuem
esses bunkers. Obwald e Nidwald dividem um.
Segundo os autores, o objetivo era de reduzir os
custos e melhorar a eficácia da colaboração
entre os cantões e as forças armadas em caso de
guerra.No total, a Confederação Helvética, que
financiou o total das infra-estruturas militares
e entre 30 e 60% das infra-estruturas civis,
teria gasto 80 milhões de francos nos últimos
vinte anos: as primeiras obras datam de 1977.
A utilidade das fortificações é colocada hoje em
dia em questão, não apenas pelos críticos, mas
também pelo próprio exército. Um exemplo: o
bunker construído em 1995 (após oito anos de
trabalho) no cantão de Vaud. Ele só foi
utilizado uma vez, durante o encontro do G8 em
Evian em junho de 2003, como base das forças de
segurança.
Aberrações
Como explica o "Le Temps" na sua reportagem,
não foi difícil descobrir a localização precisa
do bunker em Vaud e as circunstâncias da sua
construção. Porém o jornal está impedido de
publicar as informações, pois estas ainda são
consideradas segredos de Estado, mesmo sendo ele
considerado inútil. Apesar de ter modernas
instalações, o bunker não está incluído no grupo
de duas fortificações que poderiam ser
utilizados pelo governo local em caso de crise.
Por essa razão, o Ministério da Defesa
começou a negociar com os cantões para se ver
livre dessa infra-estrutura que não é mais
utilizada. Alguns deles mostraram interesse,
como o cantão de Berna. Porém quanto custaria
desativar os bunkers?
- Em primeiro lugar, as forças armadas precisam
avaliar suas necessidades e depois decidir qual
infra-estrutura realmente pode ser vendida ou
transferida para outras instituições - explica
Denis Froidevaux, chefe do serviço de segurança
civil e militar do cantão de Vaud. O objetivo é
impedir que os contribuintes tenham que pagar
duas vezes pela fortificação, através da venda
ao cantão de um objeto já pago pelos cofres
federais.
O bunker de Vaud custa 400 mil francos por
ano. O dinheiro serve para pagar 17 funcionários,
encarregados de manter tudo em ordem.
Felix Endrich, porta-voz do exército, ressalta
que o programa inclui apenas as infra-estruturas
nos cantões. Quanto aos bunkers do governo
federal, apenas o chefe das Forças Armadas pode
julgar se eles não são mais úteis.