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Antes
de ser levada à
montanha, a bandeira
brasileira de 30 x
24 metros teve de
ser montada e
pintada |
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Com céu de brigadeiro, já no dia
seguinte os dois pedaços de pano
podiam ser vistos a partir de
Weggis, cidade vizinha às
margens do Lago dos Quatro
Cantões, que se preparava para a
chegada da Seleção Brasileira.
Não demorou muito para que os
turistas e jornalistas
começassem a perguntar quem
seria o autor dessa
impressionante proeza.
Devido às suas proporções
gigantescas, a visualização de
ambas as bandeiras é possível
mesmo a vários quilômetros de
distância. A da Suíça tem 30
metros por 30 metros e está
localizada à direita da
brasileira, que ficou apenas um
pouquinho menor: 24 metros por
30 metros.
A ação é uma homenagem aos
jogadores brasileiros, que
escolheram essa região alpina
para se preparar à Copa do Mundo.
Porém não é a primeira vez que
os alpinistas sobem o Rigi para
marcar o patriotismo: desde
2002, o grupo fixa todos os anos
no local a maior bandeira suíça
do mundo para celebrar o 1° de
agosto, o dia nacional helvético.
Com isso eles homenageiam sua
pátria e, de quebra, também
atraem mais turistas à região.
Estes ficam encantados ao ver o
cenário combinado de montanhas,
o Lago dos Quatro Cantões e
vilarejos típicos coroado pelo
famoso quadrado vermelho com a
cruz branca no meio. Sobretudo
os japoneses, durante os
passeios de barco, aproveitam o
momento para esquentar o dedo
nas máquinas fotográficas.
Vento destrói
bandeira
O chefe da equipe
"Schweizerfahne", Röbi Küttel,
trabalha como zelador de um
asilo de idosos em Weggis. Nas
horas vagas, a paixão do suíço
de 40 anos é escalar montanhas,
subir nos despenhadeiros, pregar
grampos na pedra e, com seu
próprio esforço, chegar ao cume.
Nascido na região, Küttel havia
escalado grande parte das
maiores montanhas suíças aos
dezoito anos. Depois de subir na
encosta do Rigi em 1986, ele e
um amigo tiveram pela primeira
vez a idéia de pregar uma
bandeira suíça no local. Apesar
de se considerar um patriota,
ele considera seu ato longe de
ser político.
- O que me fascina é o desafio
técnico e esportivo - afirma.
A idéia não se repetiu por falta
de patrocínio. Apenas em 2000,
ele voltou com uma equipe para
pregar uma bandeira de 20 metros
por 20 metros, que acabou sendo
destruída pelo vento e caindo no
meio do vilarejo. Em 2002,
Küttel conseguiu o apoio de
empresas e iniciou uma tradição
que se mantém até os dias de
hoje.
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Um
dos alpinistas (no
centro com capacete
branco) fixa os
cabos de aço das
duas bandeiras |
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Meia
tonelada de Brasil
O material das
novas bandeiras tem aberturas
que permitem a passagem do ar,
uma forma de evitar que elas se
rasguem com rapidez. Cada uma
das bandeiras é fabricada a
partir da costura de seis
pedaços. A bandeira suíça pesa
400 quilos e utiliza 300 metros
de cabos de aço de 10 milímetros
e 170 grampos fixados na pedra.
Como base para fazer a bandeira
brasileira, a equipe de Röbi
Küttel utilizou pedaços antigos
da bandeira suíça. Estes foram
consertados e pintados com as
cores nacionais verde, amarelo,
branco e azul. As camadas de
pintura fizeram com que o peso
da bandeira aumentasse para meia
tonelada.
No seu site, Küttel explica o
que motiva os alpinistas do seu
grupo.
- Para nós as bandeiras são uma
expressão de criatividade,
coragem frente aos desafios, a
vontade de dar de si mais do que
o possível, abertura frente ao
mundo e também tolerância e
liberdade.
Quando a Seleção Brasileira se
despedir de Weggis em 4 de junho
para lutar pelo hexa na Copa do
Mundo, os alpinistas voltarão a
subir o Rigi. Eles têm até 11 de
junho para descer a bandeira do
Brasil.
Ana Rachel Benevenuti, 25 anos,
paranaense de Apucarana, vai
participar dessa operação
perigosa. Ela foi um dos vinte
alpinistas a pregar a bandeira
no paredão. Advogada formada
pela Universidade Estadual de
Londrina (UEL), ela desembarcou
há dois anos em solo helvético
atrás de um doutorado em direito
internacional. Durante os
estudos, conheceu o alpinista
Michael, hoje seu namorado e
tutor nas aventuras longe do
chão.
- A história da bandeira
nacional foi uma coisa louca.
Foi muito difícil colocá-la.
Para piorar, além de alto,
enfrentamos rochas que esfarelam.
E mais: o trajeto é totalmente
vertical. Demoramos 10 horas no
paredão. É a terceira vez que
faço essa escalada. É algo
fascinante - relata a moça,
empolgada com o esporte.
A bandeira suíça permanece no
local até 15 de agosto, quando
os suíços já deverão ter se
recuperado dos festejos do dia
nacional e também, quem sabe,
uma vitória da seleção helvética.
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