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Durante o percurso
os visitantes podem
sentir o cheiro de
diferentes tipos de
chocolate... |
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A novidade
aqui é o novo percurso de
visitação, inaugurado com pompa
em junho de 2006 pelo presidente
mundial da Nestlé, Peter
Brabeck.
Ao ganhar o concurso
internacional organizado pela
multinacional suíça para renovar
a imagem de uma de suas marcas,
a Cailler, o conhecido arquiteto
francês Jean Nouvel também foi
incumbido de reformar o circuito
de visitantes da fábrica de
chocolate em Broc.
"Eu trabalhei com as lembranças
da infância que o chocolate
sempre deixa em qualquer
indivíduo e guardei os símbolos
conhecidos da Cailler. Porém eu
reforcei o lado de quermesse do
chocolate com suas embalagens
douradas ou prateadas do papel
alumínio, suas cores vivas,
sinônimos do prazer imediato e
fugaz. Enfim, eu tornei o
produto mais otimista, mais
atraente", contou Nouvel à
imprensa na época.
Críticas à nova imagem
Muitos consumidores se chocaram
ao ver o "novo" Cailler lançado
em fevereiro. A mudança mais
importante foi nova embalagem
dos chocolates, que trocou o
tradicional papel impresso por
um plástico transparente, onde o
papel alumínio e o logotipo
estilizado estão pintados
segundo o tipo do produto.
O protesto mais forte veio por
parte de grupos ecologistas, que
denunciaram o uso do PVC como
nocivo ao meio-ambiente. A
Nestlé, dona da marca, resolveu
posteriormente limitar o uso do
material a apenas 20% das
barras. Porém outra crítica veio
da parte de compradores fiéis à
marca: o novo visual seria um
atentado contra a tradicional
marca surgida em 1825.
O custo de relançamento dos
produtos da Cailler foi orçado
em 12 milhões de francos suíços.
O grande dinheiro investido
também na publicidade ainda não
teve o retorno esperado. As
vendas caíram e analistas já
anunciam para o ano uma queda de
20% das vendas, em relação a
2005.
Apesar das críticas e problemas
de venda, a presidente da Nestlé
Suíça, Nelly Wenger, continua
sendo apoiada por Peter Brabeck.
Os dois estiveram juntos na
inauguração do novo percurso em
Broc, que adotou o mesmo visual
das novas barras de chocolate
Cailler.
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... e no
final são
servidos os
melhores
pralinés da
Cailer. |
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Fantástica fábrica de
chocolate
O percurso dura
aproximadamente uma
hora. O espaço da nova
exposição é dez vezes
maior do que a anterior.
Nele o visitante
atravessa diferentes
salas pouco iluminadas e
divididas por telas de
plástico negro. A cada
momento há uma surpresa.
Ela começa pela vitrine
com diversos tipos de
formas de metal. Uma
delas é uma gigantesca
esfinge egípcia, uma
peça única de chocolate
Cailler preparada nos
anos 20 do século
passado. Nas paredes,
cartazes de propagandas
de chocolate. A mais
interessante mostra o
personagem
"chapeuzinho-vermelho"
com uma barra na mão e
um guloso lobo a
espreitando.
Depois o visitante chega
numa sala de odores.
Através de tubos, ele
pode sentir e
diferenciar o cheiro do
chocolate branco, com
leite e o amargo.
A outra sala oferece a
primeira degustação. Nas
paredes os gráficos
mostram de onde vem os
diferentes ingredientes
dos chocolates Cailler e
no chão estão eles
dentro de grandes sacos
plásticos com se
tivessem sido
desembarcados no momento
dos navios: favas
torradas de cacau de
Gana e Equador, amêndoas
e avelãs da Espanha, mel
e leite da Suíça e
também manteiga de
cação.
Porém a exposição também
é tecnologia, pois
afinal a produção de
chocolate mudou muito
nas últimas décadas. Das
fábricas onde mulheres e
homens trabalhavam
embalando e fabricando
os doces com as mães,
elas se transformaram em
grandes mecanismos
automatizados, onde o
mestre chocolateiro mais
parece um engenheiro
cercado de computadores.
As fábricas modernas são
esterilizadas e não
podem ser visitadas pela
maioria do público.
Isso explica por que os
projetores de uma das
salas jogam imagens da
linha de produção da
Cailler no chão e nas
paredes. Nela quase não
se vêem pessoas, mas sim
máquinas modernas.
Pequenos monitores
colocados nas paredes
mostram os detalhes
finos: a mistura de
pedaços de avelã com o
chocolate ou a segunda
camada recebida pelas
barras com creme de
avelã.
Grande interesse
A afluência de turistas
à Cailler em Broc. Pouco
mais de 65 mil pessoas
fazem o percurso
anualmente, durante os
seis meses em que está
aberto. Nos dias de mais
movimento até 1.500
visitantes podem passar
pelas suas salas. Desde
que foi aberto o
percurso nos anos 70,
mais de um milhão de
pessoas passaram pela
fábrica da Cailler em
Broc.
Agora, com o interesse
crescente dos turistas,
sobretudo os
estrangeiros desejosos
de ver como se fabrica o
"melhor" chocolate do
mundo, a direção da
empresa decidiu que o
percurso ficará aberto
também nos
fins-de-semana. Isso a
partir da sua reabertura
em abril de 2007.
Para alguns turistas, a
curiosidade vem da
infância. O redator que
escreve essas linhas se
lembrava durante sua
visita do célebre filme
"A fantástica fábrica de
chocolate" (1971),
dirigido pelo cineasta
americano Mel Stuart.
Esse sentimento foi
reforçado ao chegar numa
sala escura climatizada
a 15 graus.
Nelas, dois refletores
jogam a luz contra um
longo balcão repleto de
todas as especialidades
produzidas pela Cailler:
confeitos, barras de
chocolate de todas as
cores, bombons e outros.
Tudo oferecido à vontade
por simpáticas
funcionárias. Meninos e
adultos não se contém e
avançam nos belos
pratos.
Produto saudável
Com a barriga cheia e
felizes, os visitantes
ganham ânimo para
continuar o passeio. Ele
os leva a uma grande
vitrine, onde pode ser
observada a fábrica
atual. Depois todos se
dirigem a uma sala de
cinema, onde a Cailler
mostra pequenos filmes e
comerciais do passado e
presente.
Um deles lembra por que
o chocolate é tão
associado com a Suíça.
"Queridas crianças,
comam sempre chocolate,
um gênero alimentício
indispensável para a
nossa saúde. Além da
energia do cacau, ele
contém um terço do
melhor leite", fala o
narrador, mostrando
vacas pastando na
paisagem alpina de
Gruyère. Isso era nos
anos 50.
Com todos os órgãos
sensitivos saciados, o
visitante só pode se
inspirar ao chegar no
último estágio da
visita: a pequena loja
Cailler, onde as barras
e bombons estão
dispostos em caixas como
se estivessem acabado de
sair da linha de
produção.
O maior perigo da visita
está nesse local: todos
os produtos expostos são
vendidos pela metade do
preço nos supermercados,
uma tentação para os fãs
do chocolate suíço.
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