O evento foi uma boa oportunidade de
"reviver" a história de Friburgo,
cidade surgida numa época em que o
atual território suíço era governado
por reis e imperadores germânicos
dos séculos XII e XIII, apoiados por
uma rede de feudos construídos por
algumas famílias nobres como a dos
Zähringen.
"A Friburgo suíça, irmã da Friburgo
alemã"
O registro ficará para sempre na
história da cidade suíça, como
explica a guia da Secretaria de
Turismo de Friburgo, María Muñiz.
"Esta cidade foi fundada em 1157
pelo duque Berthold, da família
Zähringen, a mesma que fundou
Freiburg em Breisgau, na Alemanha."
Berthold IV, o duque de Zähringen,
escolheu o terraço aos pés do rio
Sarine para estabelecer "uma nova
cidade amuralhada. Ele a batizou de
Friburgo, palavra que vem do alemão
"frei" (livre) e "Burg" (castelo). O
mesmo nome foi dado para sua
cidade-irmã em Breisgau, Alemanha,
fundada pelo seu pai, Konrad, em
1120.
Os Zähringen precisavam se defender
dos seus rivais, razão pela qual
eles criaram um sistema de
fortificações que acabou dando o
desenho arquitetônico para as
cidades suíças de Berna, Burgdorf,
Morat, Thun e, ao mesmo tempo, a
própria Friburgo.
Ponte cultural
Os turistas que chegam em Friburgo
por trem saltam na parte alta da
cidade. Ao lado da estação está o
escritório da Secretaria de Turismo.
"Estamos no ponto nevrálgico da
cidade, na estação de trem do século
XIX, a Secretaria de Turismo na Rua
Romont, os negócios, a vida
econômica na parte alta.
A cidade se divide em várias partes,
uma mas antigas e outras mais
modernas. Aqui estamos em uma das
mais modernas", detalha Muñiz.
Friburgo é considerada uma das
fronteiras entre as duas regiões
lingüísticas da Suíça, a de
expressão francesa e alemã.
"Friburgo é uma cidade bilíngüe na
fronteira de duas culturas. Ela
também é uma cidade que sempre
esteve aberta à presença de outras
culturas. Aqui temos muitos
estrangeiros. Afinal, somos uma a
cidade de pontes", conta a guia
espanhola, que vive em Friburgo há
pouco mais de 40 anos.
A comuna de Friburgo, localizada em
uma superfície de apenas 9,32 km²,
tem apenas 34.197 habitantes. Nas
suas ruas se escuta tanto o alemão,
falado por 7.500 pessoas, como o
francês, o idioma de 22 mil dos seus
habitantes.
A estas línguas oficiais se somaram
outras, pois um terço da população
(11.155 pessoas) é composta de
estrangeiros.
E sobre o interesse de Friburgo de
viver as diferenças, como explica a
guia Muniz, bastar ver os
acontecimentos culturais mais
destacados da agenda anual da
cidade: ela se orgulha de ter um
reconhecido festival internacional
de cinema (primavera) e também um
encontro internacional de folclore,
que ocorre todos em todos os verões.
850 anos de existência
Para comemorar seus 850 anos de
história, a comuna de Friburgo não
quer poupar.
O primeiro objetivo do programa é
conquistar a população através da
sua participação ativa nos diversos
eventos. Por isso uma grande parte
dos eventos ocorre à céu aberto ou
nos espaços públicos culturais da
cidade".
"Muitos coisa vai ocorre nas
comemorações do 850o aniversário. Um
bom exemplo é a exposição marcada
para ocorrer no Museu Arqueológico,
cujo principal destaque serão
objetos históricos únicos", conta
Muniz.
Friburgo também irá receber em
setembro a chamada "Semana Medieval,
um evento que ocorre todos os anos e
que atrai um grande número de
turistas. Esta é uma oportunidade
única de retroceder no tempo, cujo
cenário arquitetônico é a parte
antiga da cidade e os atores,
habitantes da cidade vestidos em
trajes de época.
Construída sobre rochas
Friburgo foi construída sobre um
terreno rochoso e cercado por
escarpas de granito com até
cinqüenta metros de altura. Por essa
razão, ela também é conhecida por
ser uma cidades das escadarias.
Há mais um século o trem funicular
desce até os primeiros bairros da
parte antiga de Friburgo. María
Muniz acompanha os turistas ao local.
"Aqui temos um funicular que deve
ter mais cem anos de existência.
O governo pretendia encerrar suas
atividades devido ao seu mau estado
de conservação. Mas Friburgo sempre
teve famílias patriarcas com muitos
poderes e dinheiro. Se algo de grave
ocorre, elas costumam se juntar e
cotizar para resolver o problema".
Por essa razão o trem continua a
andar. Em dois minutos suas cabines
gêmeas transportam aqueles que
querem descer à parte velha, ou
subir à parte moderna de Friburgo.
"É um funicular muito apreciado. Uma
jóia nesta cidade".
Vista privilegiada
Em cima, localizado à esquerda da
cabine do funicular, está o mirador,
do qual se tem uma vista excelente
dos primeiros bairros da cidade, das
suas pontes que passam sobre o rio
Sarine, das colinas e dos vales
vizinhos.
"Aqui temos um panorama maravilhoso
de Friburgo. Seus fundadores se
encantaram por esse lugar, pois
daqui é possível ver como Friburgo
está num local privilegiado", avalia
Muñiz.
"Ela tem um monte de proteções
naturais, sem necessitar de muralhas.
Os Zähringen instalaram uma porta de
controle, a Porta de Bourguillon do
século XII, a Torre de Dürrenbühl,
para controlar a saída em direção à
Berna, depois a Torre Vermelha, a
mais antiga, e não muito distante, a
Porta de Berna, com a ponte levadiça.
A partir dali se vêm as pontes
baixas que cruzam o rio Sarine (em
francês) ou Saane (alemão). Por
detrás do conjunto de tetos
avermelhados dos primeiros bairros
pode-se ver a última ponte coberta
da cidade, a Ponte de Berna, de
1653; (a primeira foi construída em
1250).
Apenas um dos muitos pontos de
interesse da cidade de Friburgo. |