Esta anedota comprova o crescente interesse de historiadores e da opinião pública pela história da emigração. "Nos últimos 25 anos são publicados cada vez mais livros sobre o assunto", diz Pfister. "Cresce o número de estrangeiros à procura de seus antepassados. Isso também graças às novas possibilidades oferecidas pela internet."
Pfister conta que recebe mais de 500 pedidos por ano, a metade do exterior. No ano passado, 25% das das pesquisas feitas no arquivo se referiram à genealogia. A situação é semelhante em Berna, no Valais e em Friburgo – cantões que tiveram grandes ondas de emigração entre os séculos 17 e 20.
Registros de paroquiais
"A coleta de informações passa também pelos registros de igrejas, onde foram anotados dados do batismo, do casamento e do enterro, mas não sobre emigrações", explica Marie-Claire L'Homme, dos Arquivos de Friburgo.
Mais tarde, as paróquias introduziram um registro para emigrantes, mas o passaporte só se tornou obrigatório a partir da Primeira Guerra Mundial. "Por isso, não há qualquer rastro dos que emigraram antes de 1914", diz L'Homme.
Quem procura seus antepassados, portanto, tem mais chances de encontrar respostas nos registros paroquiais guardados nos arquivos cantonais ou nos livros de registro civil.
Como um quebra-cabeça
"Respondemos às perguntas com prazer", diz Karin Hayoz, funcionária do Arquivo de Berna. "Mas quando faltam o prenome e os dados ou o local de nascimento, o trabalho se torna difícil." O volume de documentos é enorme e os estados têm pouco pessoal e recursos para isso.
"O aumento dos pedidos de informação referentes à genealogia é inversamente proporcional às nossas possibilidades", lamenta Hayoz.
Como os registros não têm ordem alfabética, ela precisa consultar página por página. "Os documentos estão escritos em latim ou em letra gótica", explica L'Homme. "Num povoado de cem habitantes ainda se dá jeito. Mas imagine uma cidade! Isso é como um puzzle."
E Hayoz completa: "Quando a pergunta é complexa, convidamos as pessoas para consultarem nossos arquivos e microfichas. Na nossa sala de leitura, sempre de novo encontramos estrangeiros, sobretudo norte-americanos, que aproveitam as férias para pesquisas. Para quem não pode nos visitar recomendamos genealogistas."
Resultado: na internet são publicados diariamente novos sites (com grandes diferenças de qualidade) sobre o assunto. "A genealogia atualmente está em moda, mas ela é cara, porque somos pagos por hora", explica o historiador e genealogista Benoît de Diesbach.
Vida melhor na Suíça
"Noventa por cento dos pedidos do exterior vêm da França, país para onde tradicionalmente emigraram os friburguenses", diz L'Homme. "Mas também recebemos cada vez mais pedidos das Américas do Norte e do Sul."
Também os outros arquivos suíços confirmam o interesse do Além-Mar. E os cartórios de registro civil constatam um crescente número de pedidos por interesses financeiros.
Jacqueline Crausaz, do ofício de registro civil de Friburgo, explica que "20% dos pedidos têm o objetivo de obter a cidadania dos antepassados para ter uma vida melhor na Suíça".
O motivo é uma lei federal de 2006, que permite aos estrangeiros voltar a obter a cidadania à qual os pais ou avós renunciaram. Além disso, a nacionalidade agora é transmitida também pelas mulheres.
