Quem nunca pensou em mudar-se para o país dos Alpes?

Essa é a imagem que os suíços querem para si: jovens divertem-se na Streetparade 2002, o carnaval tecno de Zurique.
Trabalhar ganhando uma moeda forte que não conhece a inflação, ter uma conta num banco suíço e viver num pequeno povoado cercado de montanhas cobertas de neve com muita proteção ambiental por parte dos cidadãos e principalmente o que se tem de melhor no país: tranquilidade.

Tudo isto realmente não tem preço.

 

“A Suíça não existe”.

Essa frase, idéia de um artista e inscrita no pavilhão suíço da exposição mundial de 1992 em Sevilha, foi um choque para os habitantes desse pequeno país, encravado no centro da Europa. A provocação tratava-se, porém, não de um ataque ou negação da própria existência do país. A Suíça realmente não existe. Existem sim, várias Suíças.

O país não se identifica através de um idioma. Oficialmente, na Suíça falam-se quatro idiomas. Sua cultura também não é única, mas diversa, rica e contraditória. Entre um suíço de língua francesa, que vive e trabalha na cosmopolita Genebra, com suas 200 organizações internacionais, e um suíço que vive no meio rural, num povoado das montanhas no cantão de Uri, e falante de um dialeto alemão, existe tão pouco em comum como entre um japonês e um brasileiro. Porém, existe algo que une esses dois habitantes: a história bem sucedida desse país, uma democracia de mais de 700 anos.

A Suíça é o respeito às minorias, a democracia direta e o regime federativo levado às últimas conseqüências. A Suíça resume-se à tolerância e solidariedade entre seus vinte e seis cantões, unidos por um interesse comum mas separados por suas identidades. Não é a toa que muitos até dizem que, para ser bem-sucedida, a União Européia deveria adotar o modelo suíço.

De fato, a Confederação Helvética - com moeda, defesa e política estrangeira única - é uma espécie de UE antes da hora pelo menos a partir de 1848, data da fundação da Suíça moderna.

Viver num cartão postal

Um aviso aos estrangeiros: esqueçam os clichês antes de vir morar na Suíça! Por trás dessa fachada, vista e lembrada por turistas no mundo inteiro, existe um universo muito mais interessante num país que é duas vezes menor que Portugal, trinta vezes menor que Angola e duzentas vezes menor que o Brasil.

Se as montanhas, o chocolate, os bancos e as vacas estão presentes, é importante saber que a maior parte dos seus sete milhões de habitantes mora nas regiões urbanas de planície e está muito mais integrada à Europa do que sua própria neutralidade deixa imaginar.

A verdadeira Suíça são também seus 20% de estrangeiros; seu design austero que espanta os amantes do bom gosto; seus 25 prêmios Nobel; o DJ Bobo, que anima platéias de jovens no mundo inteiro; o navegador Ernesto Bertarelli, que ganhou a mais importante regata do mundo, a America's Cup, apesar da Suíça não ter mar; o suíço Betrand Piccard, que deu a primeira volta ao mundo em balão e muito mais histórias para contar. A Suíça hoje em dia é cosmopolita, mas ao mesmo tempo apaixonada por suas tradições.