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Segundo a Secretaria Federal de
Saúde (SFS), no outono europeu –
período em que normalmente ocorrem
ondas de gripe sazonal – poderão
ocorrer entre 1 e 2 milhões de casos
de influenza A(H1N1) e até 5 mil
mortes em consequência dessa doença
no país.
Até o mês de julho, 655 casos foram
confirmados em laboratório (nenhuma
morte) e 184 casos ainda estão sendo
analisados.
Ainda que as previsões das SFS sejam
assustadoras num país com apenas 7,5
milhões de habitantes e um sistema
de saúde altamente desenvolvido, a
autoridade ressalta que não quer
criar pânico.
Segundo a SFS, a estratégia das
autoridades suíças é conter a
propagação do vírus A(H1N1) e tentar
frear uma eventual pandemia. Essa
estratégia é implementada através de
cinco medidas práticas apresentadas
a seguir.
1 ) Informação adequada a toda a
população (possibilidade de
prevenção, autoproteção e
comportamento correto em caso de
sintomas de gripe)
No final de fevereiro de 2009, a SFS
publicou um novo "Plano de Pandemia
Influenza para a Suíça", que serve
de orientação aos diversos atores (governos
federal, estaduais, pessoas físicas
e empresas) para se prepararem
contra a pandemia.
Desde o final de fevereiro também
está disponível o site oficial
www.pandemia.ch (em alemão, francês,
italiano e inglês). O site mostra
como poderá ser o cotidiano em caso
de pandemia e quais as regras a
serem seguidas pela população para
se proteger em casa, na rua ou no
local de trabalho.
Além disso, a Secretaria Federal de
Saúde publica quase diariamente
comunicados sobre a situação da
atual doença no país e no mundo em
seu site www.bag.admin.ch/influenza,
que traz ainda informações gerais
sobre gripe pandêmica, gripe aviária
(influenza H5N1) e gripe sazonal.
2) Dicas de higiene pessoal e
precaução
As principais dicas publicadas pela
secretaria já foram afixadas em
forma de cartazes em muitas
repartições públicas, instituições –
escolas, hospitais e empresas.
São elas:
- lavar as mãos várias vezes ao dia
com água e sabão, evitar beijos,
abraços e aperto de mão
- tossir ou espirrar em lenço de
papel
- jogar o lenço de papel usado no
lixo e levar as mãos
- na falta de lenço de papel, tossir
ou espirrar na parte interna do
cotovelo
- usar máscaras de higiene (providenciar
50 máscaras por pessoa)
- se possível, manter distância de
pelos menos um metro de pessoas
infectadas.
3) Apelo à responsabilidade das
pessoas infectadas
Segundo a SFS, quem tiver sintomas
de gripe deve permanecer em casa ou
no quarto de hotel (em caso de
pessoas em viagem) até um dia após o
desaparecimento desses sintomas.
Pacientes da gripe devem informar
pessoas com as quais tiveram
estreito contato (de menos de um
metro de distância) até um dia
anterior sobre o adoecimento e
recomendar-lhes que observem
atentamente seu estado de saúde.
Quem, apesar da gripe, tiver de sair
de casa (por exemplo, para ir ao
médico), deve usar máscara de
higiene para evitar contágio de
outras pessoas.
4) Garantir tratamento adequado
Os sintomas da gripe suína são muito
parecidos com os da gripe comum:
febre, tosse, garganta inflamada,
dor no corpo, dor de cabeça,
calafrios e fadiga – algumas vezes,
diarréia e vômitos.
Segundo as orientações da SFS,
pessoas com estes sintomas devem
contatar por telefone um médico, que
então decidirá se é necessário fazer
uma consulta ou exame laboratorial.
Os dois medicamentos recomendados
pela SFS são o Tamiflu e o Relenza,
ambos sujeitos a receita médica. "Não
vá direto à emergência de um
hospital nem tome antiviral por
iniciativa própria", recomenda a SFS.
A própria Secretaria dispõe de uma
reserva emergencial para 10 mil
tratamentos. Em junho passado, o
governo suíço – que já dispõe de
estoques de Tamiflu para tratar 25%
da população – encomendou mais 40
mil pacotes de antiviral que ficarão
guardados na farmácia do Exército
para o caso de ocorrer escassez
abrupta do medicamento. Além disso,
Berna encomendou 13 milhões de doses
de vacina contra o A(H1N1), prevista
para chegar ao mercado no final d
setembro/início de outubro, quando
deverá haver uma vacinação em massa.
5) Medidas de saúde pública para
reduzir a propagação do vírus em
ambientes de pessoas com alto risco
de complicação e/ou em situações de
elevado risco de transmissão
Pessoas com contato estreito com
casos confirmados devem tomar
durante sete dias após a exposição
medidas adequadas para evitar uma
possível transmissão do vírus a
pessoas com elevado risco de
complicações, como doentes crônicos,
mulheres grávidas e bebês.
Também os funcionários de hospitais
tomam precauções: os 4800 do estado
de San Gallo (nordeste) receberam
pacotes de Tamiflu.
Além das recomendações básicas à
população em geral, há orientações
especiais, por exemplo, para
empresas e escolas - que a partir de
setembro reiniciam o ano letivo na
Suíça. No retorno às aulas após as
férias de verão europeu, todos os
alunos vão receber um folheto com o
título "Gripe pandêmica – assim você
pode se proteger".
A aplicação das dicas nacionais
difere um pouco de cantão para
cantão.
Na Turgóvia, por exemplo, devem ser
usadas somente toalhas de papel nos
banheiros; alunos e professores têm
de desinfetar as mãos antes da aula;
e os trincos das portas são
desinfetados várias vezes ao dia.
Em Zurique, os pais receberam uma
carta do serviço médico escolar
estadual com a recomendação de não
mandar para a escola crianças com
sintomas de gripe. Em Berna e em
outros cantões, é proibido o aperto
de mão.
Já as escolas de Solothurn, no
centroeste da Suíça, por enquanto,
se restringem a distribuir folhetos
e dar conselhos. "Deve-se levar a
gripe suína a sério, mas não
superestimar seu risco", disse o
secretário municipal de Educação,
Rolf Steiner, à rádio suíça DRS.
A SFS pretende publicar nos próximos
dias recomendações sobre um eventual
fechamento de escolas em caso de
pandemia.
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