Todos os três
jatos da organização foram usados
depois para repatriar os alunos da
escola belga de volta para casa.
Esta foi uma das maiores e mais
traumáticas operações dos 60 anos de
história da Rega.
Poucas semanas depois,
a ambulância aérea foi chamada
novamente, desta vez na Turquia,
onde 19 turistas suíços ficaram
feridos em um acidente de ônibus -
acidente que custou a vida de um dos
suíços do grupo.
Um médico da Rega
baseado no país conseguiu chegar no
local do acidente em questão de
horas e 14 feridos suíços voltaram
para casa através do serviço de
ambulância aérea em menos de dois
dias.
O ano passado foi mais movimentado
do que nunca para a Rega. Seus 17
helicópteros e três aviões a jato
voaram em 14240 missões de resgate
de cidadãos suíços, no país e no
exterior. Não é de se admirar que o
serviço sem fins lucrativos tenha
ganho status de ícone, citado por
muitos suíços no mesmo nível da Cruz
Vermelha – organização da qual a
Rega também faz parte.
Acidente na geleira
Gauli
O serviço de resgate
aéreo suíço foi fundado em 27 de
abril de 1952. Em seu primeiro ano
de funcionamento, o serviço voou
apenas em seis missões - no ano
passado, os helicópteros voaram por
dia só cinco vezes esse número.
Mas a ideia de um serviço de
salvamento aéreo suíço nasceu a
partir da queda de um avião militar
dos Estados Unidos sobre o Glaciar
Gauli, no cantão de Berna, em 1946.
Após uma busca de quatro dias, dois
aviões do exército suíço puderam
pousar em uma geleira próxima e
completar o resgate dramático da
tripulação e dos passageiros do
avião (veja a galeria).
O salvamento demonstrou a eficácia
do resgate aéreo nos Alpes e seis
anos depois era formalmente criado o
Resgate Aéreo Suíço (Rega), uma
subdivisão da Associação Suíça de
Resgate, sob a liderança de Rudolf
Bucher.
Em seus primeiros anos, o serviço
não só salvava pessoas em terrenos
acidentados dos Alpes suíços, mas
também participava de operações
internacionais.
Paraquedistas treinados pela Royal
Air Force foram
largados na Holanda para ajudar as
pessoas presas em uma enchente em
1953. No ano seguinte, os
socorristas suíços entraram em ação
em um resgate de uma avalanche na
Áustria.
Cooperação
internacional
Em 1956, Rega
participou na busca dos corpos das
vítimas de uma colisão entre dois
aviões de linha sobre o Grand
Canyon, nos EUA. Outras operações
foram realizadas nos anos seguintes
na Turquia, Itália e Romênia.
"Estamos orgulhosos de ver o nome do
serviço Rega respeitado em todo o
mundo. Os serviços de resgate aéreo
do mundo estão agora mais equipados,
mas continuamos cooperando com
outras organizações na formação e na
transmissão do conhecimento em áreas
como a voos noturnos", disse à
swissinfo.ch o diretor-geral Ernst
Kohler.
Os turistas suíços podem ser
resgatados em qualquer lugar do
mundo em caso de doença ou acidente.
Por exemplo, durante o tsunami na
Ásia, no final de 2004, 60 turistas
suíços foram repatriados pelo
serviço.
Mas as operações no exterior estão
diminuindo nos últimos anos. Em
2011, o serviço Rega agiu em 2114
emergências médicas no exterior, ou
19% a menos que no ano passado. "Em
vinte anos, os serviços médicos de
muitos países melhoraram, de modo
que o repatriamento é cada vez menos
necessário. Mas há sempre pessoas
que preferem voltar para serem
tratadas na Suíça”, diz Ernst Kohler.
Um socorro para o
erário
A importância do
serviço Rega pode ser medida pelos
seus 2,4 milhões de doadores que
contribuíram com 86,5 milhões de
francos suíços no ano passado.
Números impressionantes para um país
de 8 milhões de habitantes.
Especialmente porque todos têm
direito à assistência gratuita do
serviço Rega, mesmo quem não é
membro ou não paga uma cotização.
As contribuições também ajudam a
evitar que os contribuintes paguem
pelo serviço. Por outro lado, o
Tribunal Federal (última instância)
confirmou em novembro passado a
decisão da Receita Federal suíça de
que há de fato uma troca de serviços
sujeitos ao IVA entre doadores e
Rega.
Consequentemente, este último teve
que pagar 5,5 milhões de francos em
impostos, o equivalente ao pagamento
de 185.000 anuidades. "Não é justo
arrecadar dinheiro de uma
organização sem fins lucrativos”,
protestou Ernst Kohler. “Este
dinheiro deve ser usado para os
aviões em vez de terminar nos cofres
do Estado", disse.
O debate agora está nas mãos dos
políticos suíços, mas Ernst Kohler
não espera que o problema seja
resolvido tão cedo: “uma decisão
política seria um bom presente de
aniversário, mas é preciso tempo
para mudar a lei".
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