Neste campo, os suíços se mantêm como líderes mundiais desde a descoberta do primeiro planeta em órbita de outro sol que o nosso por Michel Mayor e Didier Quéloz, em 1995. "Eu acho que os exoplanetas são uma descoberta tão importante quanto a do DNA, que merece um Prêmio Nobel", se entusiasma Philippe Gillet, vice-presidente da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), que também colaborou na preparação da candidatura do projeto CHEOPS.
Leve e resistente
Mas o que torna
a Suíça tão boa
em tecnologia
espacial? Tudo
que for enviado
ao espaço deve
ser leve e
resistente, pois
cada quilo conta
e não é possível
consertar nada a
milhões de
quilômetros da
Terra. Para
Philippe Gillet,
"temos uma boa
experiência na
miniaturização e
uma longa
tradição de
fiabilidade. E
para lidar com
pesos-pesados da
Europa, como
França e
Alemanha,
precisamos
mostrar o que os
outros não têm".
Por exemplo,
poder construir
um microscópio
de força atômica
do tamanho de
uma caixa de
fósforos que
pode resistir às
vibrações e
variações de
temperatura do
voo
interplanetário.
Foi o que uma
start-up e duas
universidades
suíças fizeram
para a missão
americana
Phoenix. Em
julho de 2008, a
sonda que pousou
em Marte foi a
primeira a
encontrar
nano-cristais de
gelo de água.
É na Suíça
também que está
sendo testado o
altímetro a
laser BELA, que
partirá daqui
dois anos para
Mercúrio a bordo
da sonda
europeia
BepiColombo.
Após seis anos e
meio de viagem,
o instrumento
voará o planeta
mais próximo do
Sol, a uma
altitude média
de 700 km,
mapeando o
relevo com uma
precisão de um
metro.
Histórias de sucesso
Precisão,
fiabilidade,
inovação. Essas
qualidades
geralmente são
atribuídas ao "Swiss
Made" e fazem
parte do grande
sucesso da
indústria
espacial suíça,
as pontas de
foguetes. Desde
o início do
foguete Ariane,
em 1974, a
grande ponta que
protege a nave
espacial durante
o primeiro
minuto de voo de
todas as missões
da ESA é feita
na Suíça.
Em mais de 200
missões, estas
pontas, que são
descartadas no
espaço, nunca
deram defeito.
Se a ponta não
abrir, a missão
acaba na hora, o
que significa
uma perda de
centenas de
milhões, até
mesmo bilhões,
investidos.
Será que isso
basta para
garantir esse
mercado aos
suíços? "Nada
está garantido
no meio
industrial. A
crise europeia
está aí para nos
lembrar que é
sempre muito
difícil manter
um mercado. Mas
eu acho que a
Suíça tem tudo
para manter os
que ela tem,
além de poder
continuar
desenvolvendo
outras empresas
no ramo”, diz
Philippe Gillet.
10 bilhões de euros, apesar da crise
Enquanto isso, a
Suíça acaba de
assumir, com o
Luxemburgo, a
presidência do
Conselho da ESA
a nível
ministerial até
2015. Em Nápoles,
nos dias 20 e 21
de novembro, o
Secretário de
Estado da
Educação e
Pesquisa da
Suíça, Mauro
Dell'Ambrogio, e
o Ministro das
Comunicações e
Pesquisa do
Luxemburgo,
François Biltgen,
definiram as
próximas metas
da organização.
Apesar das
proporções
tomadas pela
crise europeia
desde 2008, data
da última
reunião, os
ministros foram
capazes de
manter o
orçamento da
agência em 10
bilhões de euros
para os próximos
três anos. A ESA
vai deixar de
lado a Lua, no
momento, mas as
duas missões a
Marte, em
colaboração com
os russos, foram
mantidas, assim
como a
contribuição
europeia para a
Estação Espacial
Internacional (ISS).
Outra decisão
importante
tomada em
Nápoles foi a
escolha pela
construção de
uma versão
melhorada do
Ariane 5,
chamada ME (para Middle
Evolution).
O foguete
introduzirá
possíveis
componentes que
serão
aproveitados no
futuro Ariane 6,
previsto para a
próxima década.
É que o mercado
de foguetes
comerciais está
cada vez mais
competitivo.
Arianespace, que
ainda detinha
60% do mercado
em 2010,
enfrenta agora a
concorrência de
diversos outros
fabricantes de
foguetes, como o
russo-americano
Proton, o
russo-ucraniano
Zenit, o indiano
PLSV, o chinês
Longue Marche, e
principalmente o
americano SpaceX,
que quebrou o
preço da
tonelada posta
em órbita. E o
preço é
justamente um
dos pontos
fracos do
Ariane.
Neste campo, os suíços se mantêm como líderes mundiais desde a descoberta do primeiro planeta em órbita de outro sol que o nosso por Michel Mayor e Didier Quéloz, em 1995. "Eu acho que os exoplanetas são uma descoberta tão importante quanto a do DNA, que merece um Prêmio Nobel", se entusiasma Philippe Gillet, vice-presidente da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), que também colaborou na preparação da candidatura do projeto CHEOPS.
Leve e resistente
Mas o que torna
a Suíça tão boa
em tecnologia
espacial? Tudo
que for enviado
ao espaço deve
ser leve e
resistente, pois
cada quilo conta
e não é possível
consertar nada a
milhões de
quilômetros da
Terra. Para
Philippe Gillet,
"temos uma boa
experiência na
miniaturização e
uma longa
tradição de
fiabilidade. E
para lidar com
pesos-pesados da
Europa, como
França e
Alemanha,
precisamos
mostrar o que os
outros não têm".
Por exemplo,
poder construir
um microscópio
de força atômica
do tamanho de
uma caixa de
fósforos que
pode resistir às
vibrações e
variações de
temperatura do
voo
interplanetário.
Foi o que uma
start-up e duas
universidades
suíças fizeram
para a missão
americana
Phoenix. Em
julho de 2008, a
sonda que pousou
em Marte foi a
primeira a
encontrar
nano-cristais de
gelo de água.
É na Suíça
também que está
sendo testado o
altímetro a
laser BELA, que
partirá daqui
dois anos para
Mercúrio a bordo
da sonda
europeia
BepiColombo.
Após seis anos e
meio de viagem,
o instrumento
voará o planeta
mais próximo do
Sol, a uma
altitude média
de 700 km,
mapeando o
relevo com uma
precisão de um
metro.
Histórias de sucesso
Precisão,
fiabilidade,
inovação. Essas
qualidades
geralmente são
atribuídas ao "Swiss
Made" e fazem
parte do grande
sucesso da
indústria
espacial suíça,
as pontas de
foguetes. Desde
o início do
foguete Ariane,
em 1974, a
grande ponta que
protege a nave
espacial durante
o primeiro
minuto de voo de
todas as missões
da ESA é feita
na Suíça.
Em mais de 200
missões, estas
pontas, que são
descartadas no
espaço, nunca
deram defeito.
Se a ponta não
abrir, a missão
acaba na hora, o
que significa
uma perda de
centenas de
milhões, até
mesmo bilhões,
investidos.
Será que isso
basta para
garantir esse
mercado aos
suíços? "Nada
está garantido
no meio
industrial. A
crise europeia
está aí para nos
lembrar que é
sempre muito
difícil manter
um mercado. Mas
eu acho que a
Suíça tem tudo
para manter os
que ela tem,
além de poder
continuar
desenvolvendo
outras empresas
no ramo”, diz
Philippe Gillet.
10 bilhões de euros, apesar da crise
Enquanto isso, a
Suíça acaba de
assumir, com o
Luxemburgo, a
presidência do
Conselho da ESA
a nível
ministerial até
2015. Em Nápoles,
nos dias 20 e 21
de novembro, o
Secretário de
Estado da
Educação e
Pesquisa da
Suíça, Mauro
Dell'Ambrogio, e
o Ministro das
Comunicações e
Pesquisa do
Luxemburgo,
François Biltgen,
definiram as
próximas metas
da organização.
Apesar das
proporções
tomadas pela
crise europeia
desde 2008, data
da última
reunião, os
ministros foram
capazes de
manter o
orçamento da
agência em 10
bilhões de euros
para os próximos
três anos. A ESA
vai deixar de
lado a Lua, no
momento, mas as
duas missões a
Marte, em
colaboração com
os russos, foram
mantidas, assim
como a
contribuição
europeia para a
Estação Espacial
Internacional (ISS).
Outra decisão
importante
tomada em
Nápoles foi a
escolha pela
construção de
uma versão
melhorada do
Ariane 5,
chamada ME (para Middle
Evolution).
O foguete
introduzirá
possíveis
componentes que
serão
aproveitados no
futuro Ariane 6,
previsto para a
próxima década.
É que o mercado
de foguetes
comerciais está
cada vez mais
competitivo.
Arianespace, que
ainda detinha
60% do mercado
em 2010,
enfrenta agora a
concorrência de
diversos outros
fabricantes de
foguetes, como o
russo-americano
Proton, o
russo-ucraniano
Zenit, o indiano
PLSV, o chinês
Longue Marche, e
principalmente o
americano SpaceX,
que quebrou o
preço da
tonelada posta
em órbita. E o
preço é
justamente um
dos pontos
fracos do
Ariane.
* ESA
Reunindo
recursos de
seus 20
países-membros,
a Agencia
Espacial
Europeia
(ESA) pode
fazer o que
nenhum outro
país no
continente
poderia
fazer
sozinho. Seu
orçamento
anual é de
4,8 bilhões
de francos
suíços. É
maior do que
o da agência
russa
Roskosmos
(3,5 bilhões),
mas muito
menor do que
o da NASA
(16,5
bilhões).
Desde 1975,
a ESA lança
satélites de
comunicação
(usados para
transmitir
sinais de
rádio,
televisão ou
internet),
de
monitoramento
do meio
ambiente (incluindo
o tempo) e
logo de
geolocalização
(sistema
Galileo, em
construção).
Tem a sua
própria base
de
lançamento
em Kourou,
na Guiana
Francesa.
A Europa tem
enviado
sondas em
todo o
sistema
solar: Vênus,
Titã (lua de
Saturno), a
Lua, Marte,
os cometas
Halley e
Churyumov-Gerasimenko
(onde um
pequeno robô
deve pousar
no ano que
vem), e em
breve
Mercúrio. A
ESA também
examina o
céu profundo,
principalmente
com os
telescópios
Herschel e
Planck, que
analisam a
formação de
sistemas
planetários
e o eco
distante do
Big Bang.
A ESA também
forma
astronautas
desde 1978 e
um dos três
primeiros
foi o suíço
Claude
Nicollier.
Eles
participaram
em missões
americanas,
russas, e
mais
recentemente
na Estação
Espacial
Internacional,
onde a
agência
também tem o
seu módulo
de
laboratório.
Até o
momento, 33
europeus
estiveram no
espaço.
